domingo, 2 de outubro de 2011

Próxima parada: paraíso?

Por Henrique Balbi                                                                                                          henriquebalbi92@gmail.com

Um sonho possível

Nos livros de História, era a capital do império de Ciro II, da Pérsia, mas é só mencionar para vir um lugar longe do cotidiano tedioso, à Manuel Bandeira em seu poema mais pop, “Vou-me embora pra Pasárgada”, de “Libertinagem” (1930).

O clima em Pasárgada não é quente ou seco, como no Irã, a ex-Pérsia. O táxi que me leva nem liga o ar condicionado. Não se vê lixo, engarrafamento ou gente assando no asfalto para ganhar trocados indignos.

“O que o senhor vai fazer lá no hotel?”, o taxista me tirando do deslumbre. “Matéria turística, é? Precisa não, o que não falta aqui é estrangeiro aparecendo para nos contar como é maravilhoso tudo por aqui, como queriam se mudar, como é um país abençoado. De onde vem o senhor mesmo?”

Ele ri quando digo Brasil. “Igual o Bandeira, né?”. Pergunto se conhece o poema mais pop do pernambucano. “Aquilo lá é quase hino daqui. O que tem de campanha publicitária citando você não imagina... “.

Feito o check-in no (único) hotel que a Jornalismo Júnior pôde pagar, o recepcionista me responde sobre os melhores passeios: “Praça central, sem dúvida. Não há turista que venha sem conhecer o lugar onde mora o rei. Quer aproveitar a carona de um guia?”.

A guia menciona o Bandeira antes de chegarmos e informa que, ao contrário das afirmações de professores de literatura, Pasárgada representa mais para o poeta do que uma fantasia escapista para ajudá-lo a suportar a tuberculose. “Na verdade, ele foi convidado pelo rei a conhecer a região enquanto estudava na Escola Politécnica de São Paulo, alguns meses antes da tuberculose”.

Os responsáveis pelo tour no Palácio confirmam. “Veio sim, era um moço de óculos grossos. Meio calado. O rei o tratou muitíssimo bem, levou-o às fazendas da nobreza, precisava ver o sorriso do menino”, me diz o guia mais velho. E ele teve a mulher que quis na cama que escolheu? “Sinto muito, não posso lhe responder”.

Esquisito. O senhor fica antipático, diz que passei tempo demais ali. Peço desculpas pelo transtorno, vou do palácio à praça. Retomo a pergunta com algumas senhoras conversando perto de um busto de bronze do rei.

“Você não devia ter perguntado, moço. Os mais velhos não gostam de falar sobre isso, os mais novos nem sequer conhecem essa parte”, uma me diz. A outra dá uma olhada ao seu redor, rasga um papelzinho, rabisca umas letras e me confidencia: “Fale com esse professor, ele é meio inacessível, mas tem um desses sites e pode lhe responder coisas interessantes sobre essa pergunta”.

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Paraíso Perdido

E foi assim que cheguei ao blog republicano mais acessado de Pasárgada. Textos do tal professor, muitas caricaturas, charges e artigos denunciando os abusos que o rei vem cometendo contra sua população.

O professor aceita uma entrevista rápida. “Você leu bem o poema do Bandeira? É quase uma mensagem cifrada. Os brasileiros não percebem o conteúdo político, acham que ele versa sobre uma Terra do Nunca. A interpretação adquire outras camadas para quem mora aqui. Na verdade, o eu lírico é um nobre de Pasárgada que, confrontando a lavagem cerebral da corte com a realidade urbana sufocante e os desmandos autoritários do monarca, resolve se juntar ao seu povo, no campo mesmo.” Digo-lhe dos anúncios publicitários que usam exaustivamente o poema. “Mas você chegou a ver que existe um pedaço censurado, certo?”

Sobre a mulher que ele quiser, na cama que escolher? “Exato. Uma das claras referências a escândalos com prostitutas pagas por conselheiros do rei para agradar artistas visitantes. Nada se ouve falar de obras feitas pelos próprios artistas de Pasárgada, as referências sempre são estrangeiros, como seu querido Bandeira. Reuni no meu blog alguns dos grandes talentos da nossa terra para que tenham espaço, afinal, se não for amigo do rei, não se aproveita nada de Pasárgada”.

E a repressão ao blog, é desprezível? Foi fácil acessar o conteúdo. “Sofremos. Fizemos uma parceria minúscula com provedores estrangeiros para que hospedassem nosso blog por algum tempo e, quando corremos risco de perder o espaço, indicamos links para que nossos leitores possam ouvir ainda a voz real de Pasárgada.”

Sem prazo ou verba para ficar mais, encerrou-se a viagem. O choque ficou na cabeça durante a volta. Imaginar aquele lugar tão cheio de paisagens incríveis como solo propício ao abuso dos poderosos dói. E os escândalos quase sem repercussão? Tanta coisa despercebida. Até o Bandeira, tão introspectivo e preso às próprias órbitas, metido nessa. Depois da experiência, “e quando eu estiver mais triste / mas triste de não ter jeito / quando de noite me der / vontade de me matar”, aonde vou?

domingo, 25 de setembro de 2011

Retrato do Turista quando Leitor

Por Henrique Balbi                                                                                                           henriquebalbi92@gmail.com

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Leitores

“Pergunto aos meus conhecidos que já foram”, foi como a senhora Ivone Assali me respondeu quando lhe perguntei como se informava a respeito de possíveis passeios turísticos. Continuei interrompendo seu café pós-almoço, querendo saber sua opinião sobre publicações jornalísticas de turismo, ao que ela disse não colocar muita confiança nem em revistas, nem em sites, nem em nada.

Foi a segunda resposta mais freqüente que ouvi, perdendo apenas para “Não costumo viajar para muitos lugares, falta dinheiro”, como disse Josefa Aldevanir Teixeira, dona de uma banca na Av. Paulista. Ela foi além: “Não leio porque vou sempre ao Ceará mesmo, visitar minha família...”

Outra fonte de informações para viagens são as próprias agências responsáveis por organizar os passeios. Adriano Maia, acostumado a procurá-las quando resolve conhecer algum novo destino, me disse “Nem tenho como lhe dar uma opinião sobre as publicações, viu...”.

Já estava imaginando os jornalistas escrevendo para ninguém, falando sozinhos, anotei no meu bloquinho para não ir muito atrás da área de turismo porque não haveria quem lesse minhas matérias mesmo, de que adianta, tanto trabalho sem nenhum retorno?, até ouvir algumas opiniões favoráveis: “Para destinos nacionais, costumo falar com conhecidos, o máximo que consulto é uma lista de restaurantes. Nos passeios internacionais, consulto guias”, disse Márcio Araújo, mais eloqüente dos entrevistados.

“Confio mais nos guias também, apesar de que, antes deles, dou uma olhada rápida na internet. Na verdade, começo a procurar por destinos através da opinião de quem conheço mesmo”, falou Antônio Rorato, juntando-se ao coro.

Dono de uma banca na Alameda Santos, Marcos Spigolon concorda com Rorato a respeito da credibilidade dos guias, diz consultá-los também e, quando lhe questionei das vendas das revistas, afinal, deve haver pouca gente que lê, não é?, “Não, não, elas vendem bastante. As revistas têm uma saída grande”, para o choque deste que vos escreve.

Leituras

Curioso, fiz um pequeno investimento e adquiri alguns exemplares que os donos de bancas me disseram ter mais saída, para procurar o que atrai tantos leitores. Como quem já folheou rapidamente qualquer uma dessas revistas deve saber, não são os textos propriamente ditos, vista a predominância quase que completa de imagens, tanto nas matérias quanto na (vasta) publicidade.

Fotos lindas, lugares paradisíacos, pessoas felizes e diversas frases bem diagramadas e preenchidas de muitos imperativos dominam as publicações. Quando os textos chamam a atenção, é mais pelo afrouxamento dos padrões jornalísticos de impessoalidade, o que os torna algo criativos e muito mais atraentes que grande parte das reportagens escritas de hoje. Os três pilares sobre os quais as revistas se sustentam são as matérias recheadas de fotos, as páginas de serviços, com preços, telefones e endereços, e a publicidade.

Os guias, por outro lado, vão direto ao ponto, focalizam muito mais a questão de serviços. Custam alguns reais a mais – apesar de as revistas não serem baratas –, porém reservam em suas páginas uma maior quantidade de informações úteis, incluindo mapas e descrições mais objetivas e detalhadas, afinal, a maior parte dos guias aborda um único destino, em contraste com as revistas, que vão da Indonésia à Bahia em menos de três propagandas. Nos guias, é mais discreta a publicidade: camufla-se entre a curiosidade histórica e o restaurante gostoso, mas desconhecido, ao invés de agarrar os olhos dos incautos que folheiam as revistas.

As duas categorias, portanto, parecem complementares. Quem quer viajar, acaba indo atrás de várias fontes de informação, hierarquizando-as por credibilidade, desde os amigos mais próximos que tem uma dica de um passeio super-bacana que não está no guia e você tem que fazer, até as revistas, sites e guias que nada mais são do que palpites ampliados e financiados por editoras (e por quem paga a publicidade). Spigolon, o dono da banca da Alameda Santos, sintetizou muito melhor que eu, afinal: “Acredito que ambos vendam bem porque existe muita variedade”.

domingo, 4 de setembro de 2011

O que o seu retrato disse para o fotógrafo?

Marina Salles                                                                             marina_salles_@hotmail.com

A V Semana de Fotojornalismo terminou nessa sexta-feira com a premiação das melhores fotos tiradas na Praça da Sé, destino escolhido para a saída fotográfica desse ano. Atílio Avancini, fotógrafo e professor da ECA-USP, e Priscila Prade, fotógrafa dedicada principalmente a retratar pessoas, comentaram as fotos premiadas.

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O primeiro colocado - Adalto Lima Duarte de Farias – revelou ter feito um verdadeiro trabalho braçal, que durou aproximadamente seis horas, para conseguir o resultado esperado na revelação de A vaidosa e os paparazzi. A foto que lhe rendeu o prêmio e muita satisfação retrata uma moradora de rua retocando a maquiagem. Para Priscila Prade a foto de Adalto reúne em si reúne elementos do ícone da própria fotografia, já que, produzida em uma máquina quase analógica, guarda pequenas “manchinhas” que só acrescentaram valor à sua produção. Além disso, a fotógrafa ressaltou na foto a presença do ícone do feminino, dizendo que “a imagem do feminino independe de classe social, é atávica do ser humano”.  E por último considerou o impacto gerado pela cena que escolheu para premiar com o primeiro lugar, em meio a outras dez fotos anteriormente selecionadas pela Jornalismo Júnior.    

DSC_0005O segundo lugar ficou com Pedro Alves dos Santos e a São Paulo ocupada, que em um retrato criativo da cidade não perde espaço mesmo tendo sido resultado, talvez, de algo previamente idealizado, segundo o próprio Atílio Avancini. No sentido da representação de um ícone a foto de Pedro aparece relacionada à comunicação, que aliada à ideia do telefone fora do gancho ganha efeito de sentido no caminhar das pessoas de costas em segundo plano na imagem.

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Já a terceira colocação coube a Raquel Nogueira Faleiros que com Profissão de Fé soube agregar à sua imagem o ícone religioso de forma inovadora, utilizando-se de recorte diferenciado de uma cena da catedral associada à presença dos mendigos na praça.

Em seguida ao evento de entrega dos prêmios teve início a palestra de encerramento, cujo tema foi: “Pessoas”. Priscila Prade destacou em sua apresentação um trabalho que desenvolveu acerca da transformação de celebridades em seus próprios ídolos, do qual resultou um livro de fotos intitulado Eu queria ser. E durante o debate, discutiu ainda sua paixão em retratar pessoas, o que desde criança já a fascinava. Segundo ela, quando se trata de fotografar pessoas, o importante é que aquele que é fotografado permita que o fotógrafo tenha um olhar particular sobre a cena: “ao fotografar uma pessoa estou aberta a interpretá-la, é como se eu fosse contar uma história”.

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Já o fotógrafo Márcio Scavoni decidiu se apresentar por meio de um curta que conta um pouco sobre seu livro Luz invisível: “Aparece um homem numa cidade oferecendo-se para fotografar as pessoas. Diz que não cobra nada por isto, fotografa-as na rua e no seu estúdio. Um dia o homem desaparece, tão misteriosamente como tinha aparecido. E então surge a teoria mais estranha e por isso mesmo a que tem mais aceitação: o homem devia ser um enviado de outro mundo e de outro planeta, de outra dimensão. Seu trabalho talvez fosse o de coletar gente ou imagens de gente e transmiti-las para o seu planeta, onde haveria uma crise de imagens ou de gente. E pensando bem não seria uma teoria tão descabida assim, porque o que um fotógrafo faz é transmitir imagens desse mundo para outro. Um outro mundo banal, não muito diferente deste, se o fotógrafo for medíocre, mas um mundo só dele. Numa galáxia particular com seu próprio clima e com seu próprio universo de referência, se for um Scavoni.”

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E após expor uma mostra de seu trabalho, Marcio Scavoni questionou a valorização de uma pseudo simultaneidade nos retratos de pessoas, dizendo que “quase tudo é uma pose”. E apesar de reconhecer que as pessoas fotografadas são levadas a manter um certo comportamento, acredita que isso seja tão sutil que, ainda assim, elas chegam a acreditar que mantém alguma liderança sobre a situação. Para o fotógrafo, é possível se utilizar de recursos para retratar as pessoas como se quer vê-las. Segundo ele, “todo retrato é um autoretrato”.

Crenças e a transformação da imagem em um ícone

Jaqueline Mafra                                                                                                         jaquelinemafra@gmail.com

O quarto dia da V Semana de Fotojornalismo teve as presenças de José Cordeiro Albano e Wagner Souza e Silva tendo como tema de discussão “Crenças”.

José Cordeiro começa explicando a imagem de Nossa Senhora Aparecida como ícone. Ele fala que a crença em uma imagem é uma manifestação coletiva e para isso apresenta dois exemplos, uma fotografia de um desfile de carnaval, na qual as baianas estavam vestidas de Nossa Senhora Aparecida, e outra que mostrava uma torcida de um time de futebol estendendo a imagem da Santa no estádio.

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O fotógrafo conta sobre seu trabalho na cidade de Aparecida, onde pode registrar a fé e a devoção à imagem de Nossa Senhora. Disse que existem várias representações da imagem e muitas manifestações de fé em toda região do santuário.

As fotografias apresentadas por José Cordeiro vão de 1995 a 2007. Elas não são importantes por apenas representar uma manifestação religiosa, mas também por mostrar a história de cada personagem.

Wagner de Souza e Silva conta que seu contato com crenças foi a partir do trabalho que realizou no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP onde pode ter contato com acervos que mostravam a necessidade do homem em ter uma base mítica.

Sua proximidade com os objetos foi um pouco mais fria, pois tentou levar um olhar mais fotográfico do que jornalístico. Em seu trabalho busca trazer às fotografias não só apenas a imagem, mas também a informação que ela transmite.

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Em um trabalho que realizou com arqueólogos, Wagner procurou deixar de lado a parte cientificas, e trouxe aquela que mostrava o que se passava na realidade. Ele exclui a objetividade da fotografia em situações em que ela deve ser.

Em seu livro mais recente, Xicrin, conta que ousou na manipulação das imagens e pode fazer da fotografia não como uma representação fiel do objeto, mas que poderia passar uma informação.

Wagner encerra dizendo que a fotografia pode se tornar um símbolo e não apenas uma representação do que é fotografado, “se trata de uma fotografia de um objeto e não uma foto de um objeto”.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

[Fotojornalismo] Priscila Prade

Priscila Prade é uma fotógrafa renomada, que participará do último dia de palestras da V Semana de Fotojornalismo.

Quando tinha 18 anos, Priscila foi para a França estudar e praticar a fotografia. De lá, trouxe a exposição “Cinema das Almas” que esteve em São Paulo, Paris e Londres. No Brasil, abriu seu primeiro estúdio e dedica-se principalmente à fotografia de pessoas, tema de sua palestra. Em entrevista para Revista Profashional, Priscila foi questionada sobre o que mais gosta de fotografar, ela respondeu: “pessoas, é quando me envolvo mais. Quando existe a troca, este momento é único”. Assim, ela fotografa retratos, moda, teatro, cinema e também faz ensaios fotográficos e catálogos. Algumas de suas fotos podem ser vistas no site: www.priscilaprade.com.br.

Entre os principais trabalhos de Priscila Prade, está o livro “Eu Queria Ser”, no qual, estão reunidas fotos de celebridades brasileiras, astros da música e da televisão, caracterizadas como personalidades mundiais. No ensaio fotográfico, Sandy virou a Mulher-Gato, Frejat se transformou no Superman, Nando Reis encarnou Van Gogh, Paulo Ricardo se caracterizou como Che Guevara e Eliana ficou irreconhecível como o roqueiro Marylin Manson. Outros famosos participaram das fotos, que são engraçadas e muitas vezes inusitadas.

Fotografia e lugares: a arte da expressão do olhar

Luisa Granato                                                                                    luugac@gmail.com

IMG_2035“Eu estava ouvindo música – durante a aula, pois nunca fui aluno exemplar – e escutei a notícia de um acidente com o avião da TAM. Eu peguei o meu carro e cheguei ao local com a minha câmera, estava cheio de fotógrafos e jornalistas, mas ninguém podia se aproximar do acidente. Vi no canto um grupo de estudantes voluntários que levava água para os bombeiros e foi junto com eles que eu entrei no meio dos escombros. Escondi a câmera e entrei para ajudar. O grupo voltou e eu fiquei por lá, tirando fotos. Foi aí que tirei a foto que começou a minha carreira no fotojornalismo, um bombeiro no momento em que tirava a caixa preta da cabine de controle destruída.”

Assim Caio Guatelli abriu a palestra do segundo dia da V Semana de Fotojornalismo com o tema “Lugares”. O evento contou com a presença do fotógrafo que trabalhou para os jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, e também da arquiteta Dirce Carrion, responsável pelo projeto “Olhares Cruzados”, que usa a fotografia como forma de troca de visões de mundo entre crianças e adolescentes da América Latina e África.

Guatelli relatou sua experiência no Haiti em 2010, quando o país foi arrasado por um terremoto e o fotógrafo foi chamado pela Folha para fazer a cobertura. Embora já tivesse passado por Porto Príncipe, acompanhando a visita do ex-presidente Lula pela América Latina, ele nunca estivera no meio de um desastre como aquele, e ele registrou o estado de carência e desespero daquelas pessoas e conta que isso o fez sentir um intruso. Mas logo o sentimento tornou-se o de ameaçado, quando ele presenciou um conflito entre haitianos e a polícia, que tentava manter as pessoas afastadas de um banco colapsado.IMG_2033

E no meio do caos e de tiros, uma foto icônica. Um homem caiu morto e seus pertences foram levados por pessoas da aglomeração que reviraram seus bolsos. Guatelli fotografou o último dólar sendo tirado do morto. Essa foto foi mostrada numa apresentação junto de outras fotos feitas na semana que passou lá após o terremoto, assim como o ensaio que ele fez das eleições no Haiti um ano depois. A última impressão que deixa dos haitianos, compartilhada por Dirce Carrion, é de um povo bonito em todos os sentidos. “Além da beleza física, é a beleza humana mesmo. É um povo cheio de dignidade e orgulho”.

Então chega a vez da segunda palestrante, Dirce Carrion falar sobre o trabalho do Olhares Cruzados, projeto que por meio de fotos e cartas estabelece um contato entre crianças brasileiras e africanas. Em comunidades do Caribe, da América Latina e da África, um grupo de crianças recebem máquinas analógicas e devem registrar como são suas vidas em 36 fotos. A fotografia, para Carrion, é acima de tudo uma forma de olhar o mundo e, nas mãos dessas crianças é possível perceber a forma como elas veem seu mundo, muito diferente do olhar superficial dado pelo resto do planeta. “Reconhecer sua própria realidade é um processo educativo.”.

No final do projeto, é feita uma exposição em que os participantes são convidados e todas as crianças recebem um livro com todas as fotos para guardar e lembrar. Dirce Carrion comentou da coincidência de ter sido convidada a dar palestra junto com Caio Guatelli, pois a segunda vez que o projeto ocorreu, em 2005, o local escolhido foi o Haiti. Ela mostrou em seguida as fotos tiradas pelas crianças haitianas. Nessas fotos, podia-se ver a preocupação de ter as vestimentas bem alinhadas para ir à escola e a presença da televisão como forma de mostrar suas posses. Somente com 36 chances para mostrar toda sua realidade, as crianças são forçadas a tornarem-se seletivas no que realmente precisam retratar, pois essas fotografias serão sua forma de se expressar para o mundo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

[Fotojornalismo] Os vencedores do ano passado

Para você se inspirar, veja as três fotos vencedoras da saída fotográfica do ano passado:


primeiro lugar - Rogério Santos da Costa

1º LugarAcampamento

Autor: Rogério Santos da Costa






Segundo lugar - Diego Nunes Bezerra (38 Cavalo) 2º Lugar 38 Cavalo

Autor: Diego Nunes Bezerra





Terceiro lugar - Carol Velasques (ordem e progresso)



3º LugarOrdem e Progresso

Autora: Carol Velasques

Mesa redonda discute a relação entre ícones e fotojornalismo

Mariana Zito e Mariana BastosSemana de foto dia 1 059

No primeiro dia da 5ª Semana de Fotojornalismo, o tema discutido foi o poder do fotojornalismo na formação de ícones. Compondo a mesa redonda, estavam Helouise Costa, Mayra Rodrigues Gomes, Atílio Avancini e Wagner Souza e Silva.

Helouise Costa, coordenadora da divisão de arte, teoria e crítica do MAC USP, contou sobre as mudanças no fotojornalismo, que antes era apenas uma forma de representação do real. Essa transformação, possibilitou a formação de ícones, pois as fotos que anteriormente eram um recorte da realidade passaram a ser feitas de modo a representar um acontecimento ou contexto histórico, as fotos deixaram de ser representações instantâneas de momentos passados, tornando-se representações de um sentimento social.

A discussão girou em torno também do conceito de ícone. Para tanto, Mayra Rodrigues Gomes, professora titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP, introduziu o conceito de discursos circulantes e seus pontos nodais, contituídos por estereótipos que facilitam a identificação social daquele discurso. Os ícones, constituídos por estereótipos ou formando um, também ajudariam nessa identificação.

Divergindo em alguns pontos com Helouise Costa, Atílio Avancini, professor da ECA-USP e fotógrafo, disse acreditar que a foto ainda é mera ilustração em alguns casos, apresentando duas visões: a primeira seria semelhante à apresentada por Helouise, na qual a fotografia passa uma informação, um contexto, possibilitando a imersão do espectador no fato; a segunda seria a de que a foto não passa de um complemento da informação, algo ilustrativo que teve seu auge no fotojornalismo de guerra.

[Fotojornalismo] Regulamento da Saída Fotográfica

Jornalismo Júnior

Empresa Júnior de Jornalismo da ECA-USP

Regulamento Oficial – Concurso fotográfico da 5ª Semana de Fotojornalismo

Capítulo I – Das Disposições Gerais e Finalidades

Artigo 1º - O concurso fotográfico faz parte da programação da 5ª Semana de Fotojornalismo, tendo como finalidade principal desenvolver atividades culturais, bem como congregar estudantes, profissionais de jornalismo e interessados em fotojornalismo de maneira geral.

Capítulo II – Do Período de Realização

Artigo 2º - A Saída Fotográfica será realizada no dia 01 de setembro de 2011 às 15 horas, na região da Sé.

§ Único – Data e horário do concurso podem ser alterados pela organização da 5ª Semana de Fotojornalismo desde que com prévio aviso.

Capítulo III – Da Organização e Execução

Artigo 3º - À Jornalismo Júnior caberá a promoção, organização e execução do concurso fotográfico.

Capítulo IV – Das Participações e Inscrições

Artigo 4º - A participação no concurso fotográfico é aberta a todos interessados.

§ Único – A exceção deste artigo é feita aos membros da organização da 5ª Semana de Fotojornalismo.

Artigo 5º - A participação no referido concurso fotográfico é gratuita.

Artigo 6º - Os interessados deverão se inscrever presencialmente nos dias 29 ou 30 de agosto durante as atividades da 5ª Semana de Fotojornalismo, ou através de e-mail para semanadefotojornalismo.jjr@gmail.com, contendo nome completo, número do Registro Geral (RG) e telefone para contato, durante o período de 29 a 31 de agosto de 2011.

§ Único - A inscrição só será efetivada com a assinatura da lista de presença, que ficará em poder da organização do concurso, no período da saída fotográfica.

Artigo 7º - Os participantes, ao se inscreverem no concurso, concedem à Jornalismo Júnior o direito de uso das suas fotografias para fins de cobertura e divulgação da 5ª Semana de Fotojornalismo ou exposições futuras.

Artigo 8º - Todas as imagens participantes do concurso serão expostas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo na sexta-feira, dia 02 de setembro de 2011.

Capítulo V – Dos Critérios de Julgamento

Artigo 9º - O Concurso Fotográfico presente na 5ª Semana de Fotojornalismo terá como tema Ícones.

§ 1º - Os critérios de avaliação serão:

1º critério: caráter fotojornalístico

2º critério: adequação ao tema do Concurso

3° critério: estética

§ 2º - Os critérios têm o mesmo peso no julgamento das fotos.

§ 3º - Não será estabelecida qualquer técnica padrão, ficando os participantes livres para escolher sua técnica.

Artigo 10º - O corpo de jurados será formado por palestrantes convidados para a realização das atividades da 5ª Semana de Fotojornalismo.

§ Único – A divulgação do corpo de jurados fica à escolha da organização do concurso.

Capíulo VI – Das Revelações e Impressões

Artigo 11º - Os participantes deverão entregar à organização do concurso um número máximo de 02 (duas) fotografias.

§ 1º - As fotos deverão ser entregues com um título cada.

§ 2º - Os custos de revelação ou impressão ficam a cargo exclusivamente do participante.

§ 3º - As fotografias deverão estar em papel fosco com bordas brancas, no tamanho de 13X18 cm.

§ 4º - As fotografias entregues fora dos padrões estipulados por este regulamento estarão desclassificadas.

Artigo 12º - As fotografias devem ser entregues a qualquer membro da organização, até às 19 horas do dia 01 de setembro de 2011.

§ Único – A não entrega das fotografias dentro do prazo estipulado por este regulamento acarretará na desclassificação do participante.

Capítulo VII – Das Premiações

Artigo 13º - Todas as premiações ficam a cargo da Jornalismo Júnior.

§ Único - As premiações são suscetíveis a alterações pela organização do concurso sem prévio aviso.

Capítulo VIII – Das disposições Finais

Artigo 14º - A Jornalismo Júnior se exime de qualquer responsabilização por eventuais furtos, bem como qualquer infração judicial cometida pelos participantes ou sofrida pelos mesmos durante o período do concurso fotográfico.

Artigo 15º - O presente regulamento entrará em vigor logo após aprovação pela organização da 5ª Semana de Fotojornalismo e, após sua aprovação e publicação, este regulamento não poderá ser alterado.

Artigo 16º - Os casos omissos do presente regulamento deverão ser resolvidos pela organização da 5ª Semana de Fotojornalismo.

Para maiores informações, entrar em contato com Juliana Mendonça Santos.

Contato: julianasantos@jornalismojunior.com.br

(11) 7332-2704

[Fotojornalismo] Wagner Souza e Silva

Wagner Souza e Silva atua como fotógrafo desde 1994 e é Professor Doutor do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Pela Escola de Comunicações e Artes da USP, concluiu graduação em Rádio e Televisão e fez mestrado e doutorado em Ciências da Comunicação.

A palestra de Wagner, pela V Semana de Fotojornalismo, ocorrerá no dia 1 de setembro e, juntamente com José Cordeiro, ele abordará o tema “crenças”. Com relação a esse tema Wagner trabalhou por dez anos como fotógrafo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, registrou artefatos diversos, entre eles objetos de culto e de universos míticos e sagrados. Além dessa documentação do acervo, ele também atuou como fotógrafo em trabalhos arqueológicos de campo no Brasil e no exterior. Com relação ao registro de artefatos, ele foi responsável pelas fotografias do livro “A plumária indígena brasileira”, que foi premiado com o Jabuti na categoria de produção editorial em 2000.

Wagner também abordará na palestra seu trabalho mais recente, que será publicado em breve, que traz fotografias de uma coleção de artefatos da etnia Xikrin.

Wagner, a partir do seu mais novo trabalho, tentará observar as tensões a respeito da crença na objetividade da fotografia, sobretudo em áreas de conhecimento onde a técnica fotográfica é instrumento fundamental em áreas de registro e pesquisa.

domingo, 28 de agosto de 2011

[Fotojornalismo] Como chegar à V Semana de Fotojornalismo

1ª opção:

Desça na estação Consolação, caminhe até a rua Augusta e pegue o ônibus Cidade Universitária (107T) ou o Cidade Universitária (7181).

2ª opção:

Desça na estação Consolação, caminhe até a rua da Consolação e pegue o ônibus Butantã-USP (7411).

3ª opção:

Desça na estação Clínicas, caminhe até a rua Cardeal Arcoverde e pegue o ônibus Butantã-USP (177P ou 177H) ou o Cidade Universitária (724A).

Em todos os casos, você deve descer em frente à Praça do Bancos, dentro da Cidade Universitária, e seguir no mesmo sentido do ônibus e atravessar a rua, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) fica em frente à Faculdade de Economia e Administração (FEA) . Basta entrar no prédio e descer até o auditório.

Atenção: qualquer outro ônibus Butantã-USP ou Cidade Universitária para em frente à FAU, mas dá uma volta por toda a USP. Caso você pegue um deles, peça para descer em frente à FAU.

4ª opção:

Desça na estação Butantã (linha amarela), saia no terminal urbano e pegue o ônibus Cidade Universitária (circular) (8012/10). Desça no ponto FAU II.

5ª opção:

Se você preferir ir de trem, desça na Estação Cidade Universitária, na linha 9 – Esmeralda. Atravesse a ponte Cidade Universitária, entre pelo acesso CPTM e pegue qualquer um dos dois circulares que ficam logo na entrada. 
Desça no ponto da FEA, atravesse a avenida e suba as escadas da FAU.

[Fotojornalismo] José Cordeiro

José Cordeiro Albano estará na V Semana de Fotojornalismo falando sobre o registro de crenças como ícones, ao lado de Wagner Souza e Silva, no dia 1 de setembro.

O fotógrafo nasceu em Fortaleza em 1944 e começou a fotografar em 1967, ainda cursando Letras na Universidade Federal do Ceará. Em 1972, terminou o mestrado em fotografia pela Newhouse School of Public Communications da Syracuse University, de Nova York.

Em 1973, ministrou cursos de iniciação à fotografia ao Serviço de Extensão da Universidade Federal do Ceará (Casa Amarela).

Um ano depois, consagrou-se na profissão com De carona na Europa com José Albano, uma série de reportagens publicadas pelo jornal O Povo, de Fortaleza. A partir daí, passou a ser autônomo: fez ilustrações para livros, restauração de fotos antigas, fotografou profissionalmente para o comércio e indústria do Ceará e ainda trabalhava ocasionalmente com fotojornalismo.

Um de seus trabalhos mais conhecidos é a Coleção Tapeba, uma coleção de retratos, que resultou numa exposição individual exibida no Brasil, na Alemanha e na Inglaterra.

José Cordeiro foi premiado diversas vezes, em concursos internacionais como o “Living Together”, em Tokyo, Japão.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

[Fotojornalismo] Caio Guatelli

Caio Guatelli é um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro na atualidade. Guatelli é paulista, tem 34 anos e se formou em Fotografia pelo Senac, em 2004.

O fotojornalista possui um currículo amplo. Entre 1996 e 1999 trabalhou para o Estado de São Paulo. Já entre 2000 e 2008 trabalhou para a Folha de São Paulo, jornal que lhe deu a oportunidade de cobrir, como repórter fotográfico e enviado especial, a grande tragédia causada pelo terremoto no Haiti em 2010. Sobre o seu trabalho em solo haitiano, Guatelli afirma: “Fiquei com medo de não aguentar tanta tristeza”. O paulista optou por retratar um viés mais humanístico do ocorrido ao invés de dar enfoque no aspecto trágico.

Outro trabalho notável de Guatelli é relacionado aos esportes. Suas fotos retratam atletas em alta velocidade proporcionando beleza e estilo únicos em fotografia e esporte. Algumas de suas obras desse tipo podem ser vistas no link a seguir: http://www.folhapress.com.br/web/galeria/fotografo.php?cd_galr=197

Caio Guatelli será um dos palestrantes da V Semana de Fotojornalismo. No dia 30/08 ele discutirá a questão dos ícones no que se refere a “Lugares”, juntamente com Dirce Carrion.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

[Fotojornalismo] Dirce Carrion

As muitas visitas à África subsaariana fizeram com que a fotógrafa gaúcha Dirce Carrion, arquiteta por formação, tivesse uma ideia: promover o conhecimento mútuo entre crianças brasileiras e africanas de comunidades carentes, separadas por um oceano mas unidas pelo modo de vida. Como? Através de cartas e fotografias que elas trocariam umas com as outras, por intermédio da fotógrafa.

Apaixonada pelos projetos nos quais se envolve, Dirce Carrion chegou a oferecer as máquinas fotográficas e oficinas de fotografia e redação para as crianças, com recursos tirados do próprio bolso. O resultado foi uma exposição no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em 2005, e a publicação do livro “Brasil-África Olhares Cruzados”.

Desde então, o que era apenas um título de livro virou um grande projeto. O “Olhares Cruzados” criou forma, conseguiu parceiros e hoje está espalhado por 22 comunidades no Brasil e pela África e América Latina. Dirce Carrion publicou uma série de livros com esse título, nos quais ela mostra que as semelhanças entre diferentes países de diferentes culturas são bem maiores do que se imagina.

A fotógrafa estará presente na V Semana de Fotojornalismo, no dia 30/08, apresentando palestra sobre os lugares como ícones, junto com Caio Guatelli, às 15h.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

10 motivos para NÃO perder a Semana de Fotojornalismo

A Semana de Fotojornalismo está chegando e você profissional, estudante ou aspirante a fotógrafo não pode ficar de fora! Seguindo sempre o objetivo da empresa, a 5º Semana promete trazer muito conteúdo pra quem curte o assunto. Se você nunca participou de nenhuma edição, a Jornalismo Júnior te dá 10 motivos para não ficar de fora! Se você já conhece as edições anteriores, não deixe de se inscrever e participar de novo. Entre os dias 29 de agosto a 2 de setembro, o tema será “Ícones” e o ambiente será fotográfico!

10 ótimos motivos para participar:
1. Assistir fotógrafos profissionais como Marcio Scavone, Caio Guatelli e muito outros dando dicas, contando histórias e debatendo a profissão cara a cara com os participantes.
2. Ouvir professores e profissionais e debater na nossa Mesa Redonda o tema: “O Poder do Fotojornalismo para formar ícones”. Já pensou na importância disso?
3. Participar de um verdadeiro workshop e poder aperfeiçoar ainda mais suas habilidades de fotógrafo. Você nunca mais tirará fotos como antes!
4. Andar pelo centro de São Paulo, mas sem pressa para pegar o ônibus ou chegar ao trabalho. Dessa vez o passeio será com o seu olhar de fotógrafo, então escolha o melhor ângulo, o melhor momento e capriche!
5. Poder sair da 5ª Semana de Fotojornalismo com prêmios na mochila! Vamos premiar com livros, máquina fotográfica e cursos de fotografia.
6. Tirar todas aquelas suas dúvidas que pintavam na hora de fotografar. O espaço para perguntas e dúvidas estará sempre aberto.
7. Encontrar pessoas com gostos em comum. Fazer novos amigos profissionais ou amadores da fotografia, trocar idéias, contatos. O velho e bom network.
8. Compartilhar suas opiniões, experiências e histórias como fotógrafo com os participantes e com a Jornalismo Júnior. Opinar para que as próximas Semanas de Fotojornalismo sejam sempre melhores.
9. Ganhar um certificado, se você comparecer a pelo menos 3 dias de palestras.
10. Poder participar de tudo isso gratuitamente.

Convenceu? Então clique aqui e faça já a sua inscrição! A Jornalismo Júnior dá as boas vindas a todos os participantes. Não esqueça que a inscrição para o workshop é feita separadamente, aqui. Solte o seu lado fotógrafo nessa Semana feita especialmente para isso. Nos vemos lá!

[Fotojornalismo] Helouise Costa

Helouise Costa, docente e curadora do Museu de Arte Contemporânea (MAC) desde 1993, é uma das palestrantes da mesa redonda “O poder do Fotojornalismo para formar ícones” , que acontece no dia 29 de agosto, parte da V Semana de Fotojornalismo.

O contato de Helouise com o fotojornalismo está aliado a sua formação acadêmica. Sua tese de mestrado sob o tema “Aprenda a ver as coisas: fotojornalismo e modernidade na revista O Cruzeiro” e seu doutorado em Arquitetura e Urbanismo sobre “Um olho que pensa: estética moderna e fotojornalismo” ilustram algumas das incursões da convidada no mundo da fotografia.

Atualmente ela é chefe da divisão de pesquisa em arte pelo MAC abarcando principalmente a parte de teoria e crítica. Atua também na área de artes com ênfase em diversos temas como fotojornalismo, fotografia moderna e contemporânea, museologia entre outros.

Helouise é autora do livro “Arte Concreta Paulista: Waldemar Cordeiro e a Fotografia e, juntamente com Renato Rodrigues da Silva, publicou “A Fotografia Moderna no Brasil”.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

[Fotojornalismo] Sobre os certificados

Para a obtenção do certificado de participação na V Semana de Fotojornalismo, é necessário o comparecimento em pelo menos três dias, em qualquer uma das atividades ou nas duas (workshop e palestra). A quarta-feira (Saída Fotográfica) não é considerada.

Os certificados serão entregues no dia 02 de setembro, durante o coffee end. Caso você não possa retirar o seu nessa ocasião, enviaremos para o e-mail que você usou para se inscrever na Semana. Se preferir, você poderá buscá-lo na Jornalismo Júnior.  É necessário ligar antes para ter certeza de que o responsável estará presente.

Jornalismo Júnior
(11) 3091-4085
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443
Bloco A - Sala 33
Cidade Universitária

[Fotojornalismo] Mayra Rodrigues Gomes

Mayra Rodrigues Gomes, Professora Titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP, possui Bacharelado e Licenciatura em Filosofia, Mestrado e Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, Pós-Doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Livre Docência em Ciências da Comunicação também pela Universidade de São Paulo.

Sua atuação tem sido ampla em relação às áreas de Comunicação, Linguagem, Psicanálise e Filosofia. Seus estudos levam em conta a produção midiática e o jornalismo como temas principais, realizando reflexões e projeções no que concerne a área. Mayra ainda tem algumas obras publicadas sobre o jornalismo. Dois exemplos são os títulos: “Poder no jornalismo” e “Ética e jornalismo”. Além disso é líder de três grupos de pesquisa na Universidade de São Paulo: “Comunicação e censura”, “Liberdade de expressão: Manifestações no jornalismo” e “Midiato – Grupos de estudos de linguagem: Práticas Midiáticas”.

Mayra Rodrigues Gomes participará da mesa redonda cujo tema será “O poder do fotojornalismo para formar ícones”. Juntamente dela, estarão presentes no debate Helouise Costa e Atílio Avancini. A discussão ocorrerá no primeiro dia da V Semana de fotojornalismo, dia 29/08, às 15h.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

[Fotojornalismo] Sobre os sorteios

O último dia da V Semana de Fotojornalismo não só dos autores das três fotos vencedoras receberão prêmios! Nós vamos sortear diversos livros de fotografia e um curso.

Para participar você tem que comparecer a pelo menos três dos quatro dias de palestras (a saída fotográfica não conta), sendo que um deles precisa ser a sexta-feira. Quem cumprir esse requisito vai receber um número, que será usado para o sorteio.

Caso a pessoa sorteada não esteja presente no momento do sorteio, um novo número será chamado.

Os premiados pela saída fotográfica não poderão participar dos sorteios.

[Fotojornalismo] Atílio Avancini

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Fotógrafo e professor dos cursos de Editoração e Jornalismo na ECA/USP, Atílio Avancini participará da Mesa Redonda “O poder do fotojornalismo para formar ícones”, no dia 28 de agosto, e do Workshop, no dia 30, ambos durante a 5ª Semana de Fotojornalismo.

Avancini nasceu em 1953 na cidade de São Paulo. Formou-se em Engenharia Civil pela FAAP em 1977, mas iniciou uma especialização em Arte e Educação em 1995. Mais tarde, seguindo o caminho da Comunição, tornou-se mestre e doutor em Ciências da Comunicação – Jornalismo pela USP. Tem em seu currículo trabalhos como: fotografias e registros da dança do professor e dançarino alemão Rolf Gelewski (1930-1988); participação no grupo de fotógrafos FotoViva, em Salvador, e Museu Lasar Segall, em São Paulo; atuação na agência Angular de Fotojornalismo (SP); fotografias de Budapeste, capital da Hungria, que renderam uma exposição no MASP, em 1989, além de outros inúmeros trabalhos e projetos acadêmicos. Seu livro Atílio Avancini – Coleção Artistas da USP mostra em 72 fotografias preto-e-brancas o cotidiano de 12 cidades do mundo. Em Entre Gueixas e Samurais: Fotografias e Relatos de Viagens, Atílio conta sua experiência de um ano pelo Japão, através de textos e fotos.

Para se inscrever na V Semana de Fotojornalismo, clique aqui

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

[Fotojornalismo] V Semana de Fotojornalismo

Cartaz Semana de Foto

A Jornalismo Júnior gostaria de convidá-lo para a V Semana de Fotojornalismo.

A Semana de Fotojornalismo é um evento anual que se alia ao objetivo da empresa de promover e compartilhar conhecimento entre profissionais e estudantes.

Nesta edição, o tema principal é “Ícones”. O evento ocorrerá do dia 29 de agosto a 02 de setembro no Auditório Ariosto Mila, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAUUSP).

Para as palestras, contamos com a presença de fotógrafos como Marcio Scavone, Caio Guatelli e Dirce Carrion.

No dia 31 de agosto, ocorrerá a saída fotográfica. As fotos tiradas pelos participantes participam de um concurso e são premiadas no último dia. Outras informações sobre a saída serão dadas no começo da Semana.

Inscrições

Para fazer sua inscrição para a semana, clique aqui e preencha o formulário. As inscrições são gratuitas e obrigatórias para os interessados em ganhar o certificado, que será entregue a todos que compareçam a pelo menos três dias de palestras (a saída fotográfica não está inclusa).

Como o workshop tem vagas limitadas, para participar dele você deve se inscrever aqui (mesmo que você já esteja inscrito para a semana).

Local

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP - FAUUSP

Auditório Ariosto Mila

Rua do Lago, 876 – Cidade Universitária

05508-080 São Paulo-SP

Programação

29/08

15h Mesa redonda “O poder do fotojornalismo para formar ícones”, com Mayra Rodrigues Gomes, Helouise Costa e Atílio Avancini

30/08

14h Workshop de fotografia – vagas limitadas

15h Palestra “Lugares”, com Dirce Carrion e Caio Guatelli

31/08

Saída Fotográfica

01/09

15h Palestra “Crenças”, com José Cordeiro e Wagner Souza e Silva

02/09

15h Palestra “Pessoas”, com Marcio Scavone e Priscila Prade

17h Premiação da Saída Fotográfica e Coffee End

domingo, 14 de agosto de 2011

Crítica musical e Jornalismo

João Vitor Oliveira                                                                                                 jvascon.oliveira@gmail.com

Em 1984, Nasi, vocalista do Ira, foi à Folha de São Paulo e tentou agredir o jornalista Pepe Escobar, após crítica feita por este ao rock paulista. Ninguém gosta de ser julgado negativamente, ninguém gosta de ver seu cantor favorito mal falado, mas a crítica musical vai muito além da mera opinião do jornalista. “Não é a simples exposição do gosto”, é o que diz Carlos Calado, no ramo desde a década de 1980, em entrevista concedida por telefone.

Não é a toa que os jornais impressos abrem espaço para a crítica musical, afinal, ela é, antes de tudo, jornalismo. Seu texto deve ser atraente do ponto de vista jornalístico. Não se pode desvincular dessa área de atuação, por exemplo, o valor da imparcialidade. O crítico musical, segundo Calado, deve analisar as obras sem quaisquer preconceitos, transmitindo ao leitor seus principais aspectos. “A função é, antes de tudo, respeitar o público, não menosprezá-lo, fornecer elementos para ele tomar suas decisões”.

Atualmente, porém, a área sofre mudanças significativas, assim como todo o jornalismo cultural do meio impresso. “O espaço para a crítica tem sido reduzido radicalmente (...) Isso está ligado com uma redução que o próprio espaço dos cadernos culturais tem nos jornais. Um caderno cultural como a Ilustrada chegou a ter, 20 anos atrás, 50% a mais de espaço”, estima Calado.

Essa redução acaba distorcendo as formas e funções da crítica. Com menos espaço, elas passam a ter menos conteúdo, passam a ser mais “ralas”, como o próprio entrevistado define. Ao invés de análises trabalhadas, os jornais têm preferido adotar o modelo americano da prática de atribuir estrelinhas, avaliações numéricas às obras, somente classificando-as como boas, ruins ou regulares. Para Calado, isso faz com que cada vez mais o crítico tenha o simples papel de dizer para o leitor: “eu estou decidindo para você se você deve ou não comprar este produto”.

Além disso, a diminuição do espaço repercute sobre o trabalho do próprio crítico musical. Se em décadas passadas já era difícil encontrar alguém que se ocupasse somente disso, hoje é praticamente impossível. O jornalista, atualmente, faz um pouco de tudo. Assim, não é possível definir o cotidiano de um crítico de música, a área é somente uma das várias ocupações dele.

Outra mudança relatada por Calado é a crescente especialização dos jornalistas da área. Não raro vemos aqueles que se definem como “crítico de rock”, ou “crítico de MPB”, por exemplo. “Eu venho de uma geração eclética, que ouvia praticamente todos os tipos de música”, comenta, explicando a importância maior que o rádio tinha na sua juventude.

Carlos Calado já cobriu shows e festivais de música em diversos países e escreveu vários livros sobre música. Trabalhou como crítico musical na Folha Ilustrada, de onde saiu em 1994, mas continua exercendo o papel em casa. Para quem se interessar em conhecer seu trabalho, ele reproduz boa parte de seus textos (críticas, reportagens, entrevistas) em seu blog Música de Alma Negra.

Jornalimo Internacional

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terça-feira, 21 de junho de 2011

Um correspondente no Brasil

Beatriz Montesanti                                                                     bmontesanti@gmail.com

O lide de uma notícia do jornal de hoje inicia:

PSDB e DEM participaram nesta segunda-feira de um ato de demonstração de união entre os dois partidos, abalada nos últimos meses pela criação do PSD, legenda comandada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que tem atraído políticos dos dois partidos.

Embora seja uma notícia atualíssima, não há grandes novidades: utiliza-se uma estrutura padrão para um assunto da rotina nacional política. No entanto, imagine escrever sobre o mesmo acontecimento com este diferencial: seu leitor não sabe o que é PSBD, DEM ou sequer Gilberto Kassab. Ainda, sabe apenas vagamente o histórico político brasileiro.

Esse é o trabalho de Todd Benson, da Thomson Reuters. Com um português fluente e uma bagagem mais que satisfatória do quadro político-social brasileiro, o jornalista deve escrever tudo o que sabe para quem nada sabe: o público internacional. “Em tragédias humanas, a cobertura é muito similar. Já em política a quantidade de contexto que você precisa colocar é bem maior”, explica o jornalista.

Segundo Todd, o trabalho de um correspondente não é exatamente como se imagina: “Tem-se a imagem de uma vida muito glamorosa, divertida, porém o foco das notícias no mundo é cada vez mais econômico. Nossa rotina é quase a mesma de um trade financeiro”. Ao mesmo tempo, há também o lado mais elaborado, no qual o jornalista pode trabalhar em reportagens especiais: “É o motivo pelo qual gostamos de jornalismo, por isso todos procuram tempo para fazer essas coisas”.

O americano também comentou sobre cobertura internacional em áreas de conflito. Embora nunca tenha sido enviado para uma zona nevrálgica, participou de um curso de treinamento de uma semana, fornecido pela Reuters: “Como se proteger em situações de guerra e protesto”. Ali foi recomendado a nunca andar sozinho, usar sempre colete a prova de balas e atualizar os editores constantemente.

A preocupação com a segurança dos repórteres é cada vez maior, a ponto de haver uma série de editores gabaritados cujo trabalho não esta relacionado com a produção da notícia em si, mas sim em certificarem-se de que os procedimentos certos são realizados e por onde andam seus funcionários.

sábado, 11 de junho de 2011

“Ler um bom texto é um dos prazeres da vida”

Por Patrícia Beloni                                                                                                           pat.beloni@gmail.comDSC_0664

A feição séria de José Hamilton Ribeiro foi só aparência. O jornalista deu um tom bem humorado à última palestra do ciclo de apresentações do evento “Histórias que se contam: O jornalismo em grandes reportagens”. O professor e chefe do departamento de jornalismo, José Coelho Sobrinho, apresentou o paulista, “alma do Globo Rural” e autor de 17 livros, entre eles “O gosto da guerra”.

Zé preparou a palestra e trouxe até um texto de apoio para não se perder. O exercícío da reportagem, iniciou ele, é diferente do jornalismo diário. Traz consigo um pouco de profundidade, pesquisa e maturação de imprensa. Citou e criticou diversos jornalistas, como Rubem Braga e Joel Silveira, e analteceu a escrita de Manuel Bandeira. Para Hamilton, ser jornalista de grandes reportagens exige vocação e formação.

Com um exemplo bem clássico da área de exatas, o repórter que ministrou aulas na faculdade Cásper Líbero ensinou a fórmula da grande reportagem para os ouvintes do evento: GR=[(BC + BF)] x [(T x T')n].Traduzindo, uma grande reportagem é fruto de um bom começo, com um bom final, combinado com muito trabalho e talento, de acordo com a energia necessária.

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O esforço para alcançar o resultado dessa fórmula também vem da consciência da profissão competitiva e o mercado restrito, limitado, o que faz com que o jornalista tenha que se dedicar e desenvolver suas habilidades. José Hamilton fala também do encanto do final. Tem que ser reservado alguma coisa interessante para encerrar o texto com “aquele gostinho de quero mais”.

Durante as dicas, o Zé foi contando alguns episódios curiosos de sua vida, como quando fez a cobertura da Guerra no Vietnã e teve a perna esquerda amputada, e algumas experiências como correspondente de guerra. “Os correspondentes de guerra são membros de um tribo infeliz. Não conhece ninguém, e tem que lutar por um furo contra os próprios colegas de trabalho”, desabafa o repórter.DSC_0696

Aos 75 anos, o jornalista, que foi repórter da “Revista Realidade”, do jornal “Folha de São Paulo”, do “Fantástico” e do “Globo Repórter”, se mostrou disposto e engraçado. Ele destacou ainda a importância da dimensão humana que deve ser dada nas abordagens de uma grande reportagem e da diferença que faz os personagens e suas histórias. No final da palestra, deu autógrafos e também tirou fotos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Jornalismo de Guerra e os riscos da profissão

João Vasconcelos                                                                                                                              jvascon.oliveira@gmail.com

Esportes. Música. Política. Muitos são os campos de atuação em que um jornalista pode escolher trabalhar, mas poucos são aqueles que decidem por especializar-se no perigoso ramo do jornalismo de guerra. “Não é algo para que se envia uma pessoa. Você convida”. É o que diz Sérgio Dávila, que cobriu a Guerra do Iraque para a Folha de São Paulo, em palestra sobre o tema no evento “Histórias que se contam: o jornalismo em grandes reportagens”.

O jornalista começou a conversa contando como foi parar na área. Correspondente da Folha em Nova York, foi o único brasileiro a cobrir, no jornal impresso, os ataques às torres gêmeas no 11 de Setembro. “Isso me credenciava a ser convidado para a guerra do Iraque”.

Falando sobre os aspectos do jornalismo de guerra, o palestrante diz que este deve ser como o jornalismo de outras áreas: imparcial, objetivo, analítico. Porém, enfatiza os inegáveis riscos fatais associados à profissão. “A diferença é uma só: o risco de morrer no final do trabalho é grande”. Por conta disso, destacou a existência de cursos de segurança que preparam repórteres de guerra, ensinando-os, por exemplo, como reagir em um cenário de explosões, ou a planejar rotas de fuga.

Segundo Dávila, 16 dos 120 jornalistas que estiveram em Bagdá na guerra do Iraque morreram. Perguntado sobre a experiência de lidar com a morte dos civis, falou ser algo difícil, que se vivencia diariamente, mas que o jornalista deve ter frieza para exercer seu trabalho. “O que a gente tinha que fazer era aprender a lidar com isso em nome de contar a boa história”. Para ele, a morte de um companheiro de profissão atingia de maneira muito mais íntima.

Entrando um pouco mais a fundo na sua rotina em Bagdá, onde trabalhou ao lado do fotógrafo Juca Varella, Dávila falou sobre as várias dificuldades que encontravam. “Tentamos criar uma rotina no caos”, disse, acrescentando que “todo dia alguma coisa nova dificultava”. A preferência de fontes eram as não oficiais, o povo iraquiano, o que rendeu o livro A guerra segundo os bombardeados, escrito pelo jornalista.

Apesar dos riscos, o palestrante destaca, ao ser perguntado se sua perspectiva de jornalismo havia mudado, a importância que a experiência teve em sua carreira. “Fui para lá um jornalista e voltei outro”. Segundo ele, a guerra é “um ambiente de superjornalismo, onde tudo é levado ao extremo”.

Para os jornalistas em formação que se interessam por este ramo, Dávila recomenda, primeiramente, que se adquira experiência em editorias internacionais e, posteriormente, busque-se trabalhar como correspondente em pelo menos dois países, para só então se entrar no campo do jornalismo de guerra. “Antes disso, acho que é prematuro e perigoso”.

Perfil Jornalístico: o diferente na multidão

Larissa Teixeira                                                                                                                     laari.teixeira@gmail.com

Vivemos em um tempo tecnológico, do superconsumo e da superprodução, em que parecer ser é cada vez mais importante do que ser.  Isso afeta a individualidade de cada um e, assim, fica muito difícil se destacar na coletividade. Para Sergio Vilas-Boas, mestre e doutor pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, nosso tempo tem a singularidade de valorizar a individualidade ao mesmo tempo em que a nega. Somos todos preparados para representarmos personagens criados por nós mesmos, o que torna a vida do dia a dia extremamente ficcional.

O jornalista esteve presente no segundo dia do ciclo de palestras “História que se contam: o jornalismo em grandes reportagens”,para falar sobre “Perfil Jornalístico”, seu modo de lidar com as individualidades e a melhor maneira de escolher seu protagonista.

Primeiramente, Vilas-Boas caracteriza o perfil como um gênero sobrevivo: "Uma das melhores coisas no perfil é que o autor pode se relacionar com o personagem que ele escolheu." Para ele, uma pessoa não é um personagem em si - ela só tem importância porque alguém a escolheu. E para escolhê-la, é preciso eliminar certas dicotomias falsas: o conhecido x desconhecido, o comum x incomum. O critério de seleção é único: buscar, pesquisar e observar pessoas que agem diferentemente da multidão. “Sempre existiram pessoas que escolheram não seguir a manada, mas hoje isso não é incentivado”.

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Ele acredita que o autor e o personagem trabalham num processo conjunto de construção do perfil. "O que eu escrevo sobre alguém é também sobre mim", comenta. Assim, todo texto biográfico é também autobiográfico e o retrato nunca será 100% natural e espontâneo, já que a reflexão do autor também é fundamental para um bom perfil jornalístico. O autor não deve jamais idealizar seu protagonista, e sim utilizar elementos humanizadores, ao mesmo tempo em que evidencia sua singularidade.
Para finalizar, Vilas-Boas dá dicas de como fazer um perfil jornalístico em cinco passos:

1. Pesquisas e busca de conhecimento de fundo

2. Conversações e diálogos: suas com o protagonista, com as pessoas próximas e consigo mesmo

3. Movimentações: movimentar-se com o personagem central é decisivo - é preciso convidar a pessoa a trocar de espaços para que você tenha episódios do presente balanceados com episódios do passado

4. Observações: o que você abstrai a partir da linguagem verbal e não verbal

5. Reflexões: suas e do próprio personagem.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Jornalismo literário: uma visão subjetiva do acontecimento

DSC00323Lucas Tomazelli                                          lucastomazelli@gmail.com

O jornalismo noticioso, objetivo e linear, é conhecido por todos. Trata-se de uma forma consagrada de informar ao redor do mundo todo. Porém, a prática jornalística mostra-se ampla, dando espaço a outras vertentes do jornalismo, como o jornalismo literário. Edvaldo Pereira Lima, autor de grandes obras relacionadas ao viés literário do jornalismo e ex-professor da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP), acredita que o jornalismo literário tem potencial para crescer no mundo todo, inclusive no Brasil.

Palestrante do evento "Histórias que se contam: o jornalismo em grandes reportagens", realizado na cidade universitária de São Paulo, Edvaldo acredita que existem "os jornalismos", ou seja, há espaço para que ocorram diferentes retratações da realidade na grande mídia. O palestrante fez questão de frisar que o jornalismo literário não usa da ficção como artíficio para sua prática. Ao contrário, este, por ser jornalismo, pressupõe um compromisso com a realidade. E, por ser literário, possui mais requinte, informando e sendo mais fácil de ser lido.

Durante a palestra, Edvaldo expôs as diferenças existentes entre o chamado jornalismo noticioso e o jornalismo literário. Ressaltou, também, a realidade mais integral e complexa que o jornalismo literário procura abranger em sua prática, valorizando o cotidiano e proporcionando ao leitor uma visão subjetiva do acontecimento. Portanto, segundo ele, o jornalismo literário não transmite apenas uma nóticia ao leitor e sim, uma experiência da realidade, algo mais emocional e simbólico, que é marcante aos olhos de quem lê.

Quanto ao trabalho de quem atua nessa área, Edvaldo afirma que o repórter não é apenas um transmissor de mensagens, mas sim, um autor, que vive um pouco do mundo das pessoas sobre as quais vai escrever, mergulha na realidade e amplia sua perpepção. Os métodos são diferentes, não ficam restritos às técnicas clássicas, são variados, produzindo um texto dinâmico com variação de recursos narrativos, os quais proporcionam intensidade ao acontecimento relatado. Além disso, as pessoas retratadas nessa vertente jornalísitica são personagens da obra, seres ativos. Já no jornalismo convencional, as pessoas são tratadas apenas como fontes de informações, não atuam substancialmente.

Edvaldo Pereira Lima, além de ser professor é co-fundador da Academia Brasileira de Jornalismo Literário (www.abjl.org.br), que pretende fomentar o ensino e expandir a prática literária do jornalismo no país. O palestrante ainda falou sobre as origens e os livros ("Páginas ampliadas: O livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura" e "Jornalismo literário para iniciantes”) que escreveu sobre o assunto. Por fim, indicou um site como referência para quem procura ler mais obras da vertente literária (www.textovivo.com.br).

Ricardo Kotscho defende uma maior invetigação dos fatos

Jaqueline Mafra

Grandes matérias publicadas fizeram de Ricardo Kotscho um dos maiores jornalistas brasileiros. Tendo vivido parte da sua vida na rua atrás de notícias, o jornalista revela no evento "Histórias que se contam: jornalismo em grandes reportagens" realizado pela empresa Jornalismo Júnior da Escola de Comunicações e Artes - USP, sobre o verdadeiro diferencial da profissão.

Kotscho começa afirmando que a natureza do jornalismo não mudou. A essência do jornalista é informar, dar o furo, falar aquilo que seu concorrente não sabe. "Não basta apenas sair na rua e sujar a a sola do sapato", diz o jornalista para explicar que o repórter deve ir à rua e apurar a informação, pois o grande diferencial é essa vontade de sair atrás da notícia. Afirma que a única coisa capaz de salvar a imprensa é a competência de ir atrás daquilo do que ainda não foi dito. O conteúdo é o que faz a diferença e não importa a plataforma de informação onde será divulgado, seja na mídia impressa, televisão ou internet.

O Jornalista diz que ninguém sai na rua para fazer uma grande reportagem, mas para fazer uma matéria. Ao contrário do jornalismo declaratório, o repórter tem o dever em apurar, entrevistar as fontes e ver o que acontece ao redor. Isso poderá resultar em uma nova pauta. Para exemplificar, comenta a vez em que foi entrevistar Roberto Carlos. A conversa não rendia muito, pois Kotscho estava usando um terno marrom e o cantor não gosta da cor, por acreditar que não dá sorte. Sem conteúdo para a matéria, o jornalista usou dessa situação para ser o início do seu texto e fazer um relato de como era a relação de Roberto Carlos e as pessoas da sua equipe.

Ricardo também faz uma distinção entre o leitor de antigamente e o atual. O de hoje decide o que quer ler e sobre o que quer se informar. Os jornalistas não são mais os formadores de opinião. Todos são capazes de ter a própria opinião e, portanto, não se pode querer enganar o leitor. Assim, todo jornalista tem que ter comprometimento com o público: "O jornalista deve ter algum compromisso com a sociedade que faça com que você se encaixe nessa profissão."

Nem todo mundo tem a capacidade em assumir esse compromisso, segundo Kotscho. O importante é ser honesto na profissão, poder brigar com todos, mas não com os fatos. "Não existe neutralidade. As grandes mídias têm seus interesses, mas o limite é o fato", afirma o jornalista.

Ricardo Kotscho comenta que lançará um livro com seleções de crônicas do seu blog Balaio do Kotscho, chamado Vida que segue e da proposta de um programa da Record com o formato do Manhattan Connection que terá o nome de Brasileiros.

terça-feira, 7 de junho de 2011

[Evento] Histórias que se contam: o jornalismo em grandes reportagens - teaser



José Hamilton Ribeiro e sua Realidade

Por Paula Peres

hamilton

José Hamilton Ribeiro nasceu em 29 de agosto de 1935, na cidade de Santa Rosa do Viterbo, interior de São Paulo. Iniciou o curso de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, mas no penúltimo ano do curso foi convidado a deixar a faculdade por ter participado de uma greve de estudantes. Ironicamente, 19 anos depois, voltou à faculdade como parte do corpo docente. É formado em direito pela Universidade de Uberaba.

Seus mais de 50 anos de carreira lhe renderam sete prêmios Esso de Reportagem, Personalidade da Comunicação e o título de ‘Rosto do Jornalismo brasileiro’ da Revista Ícaro. Considerado um dos maiores nomes na correspondência de guerra, a profissão parece mesmo ser sua vocação: Se eu fosse fazer outra coisa, na certa não seria feliz.”, afirma em entrevista dada à Associação Brasileira de Imprensa, no ano de 2005.

Em 1968, cobrindo a Guerra do Vietnã, embrenhou-se pelas matas do país com o fotógrafo japonês Keisaburo Shimamoto e acabou sofrendo um acidente: uma mina terrestre lhe amputou a perna esquerda. No livro “O gosto da guerra”, José Hamilton relata de maneira intensa e emocionante o drama por ele vivido.

O jornalista fechará o ciclo de apresentações do evento “Histórias que se contam: O jornalismo em grandes reportagens” autografando o livro “Realidade Re-vista”, de autoria própria e de seu amigo José Carlos Marão. O livro reproduz algumas das principais reportagens publicadas na revista, entre os anos de 1968 e 1969, época considerada o auge da publicação, que encerrou suas atividades no ano de 1976.