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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

[Arte] No mundo do papel

Por Paulo Fávari
favaripaulo@gmail.com

Ter se formado em história foi o pontapé para que Helen Ikeda se tornasse restauradora. Ela sentia que havia um vácuo de conhecimento técnico em relação ao resgate de materiais pré-históricos brasileiros. Por isso, procurou algum curso na área mas, por azar ou sorte, o único disponível ficava no México: ¡adiós, muchachos! A saída foi fazer um curso de restauração de livros e documentos, no Museu Paulista. Era 1981. Desde então, Helen e o papel são inseparáveis.

E não faltam argumentos à restauradora para defender o suporte. De acordo com ela, o papel é versátil e tão durável quanto a porcelana, a tela ou mesmo a escultura. Além disso, o material utilizado para a restauração é mais simples e agride menos a saúde. Obras de pintura a óleo, por exemplo, necessitam de solventes tóxicos como o aguarrás. Já para o papel, os solventes são a água e a água oxigenada, bem menos agressivos. Cola CMC (feita à base de celulose), papéis de diferentes gramaturas, lápis Caran D'Ache, aquarelas e giz pastel seco completam os materiais necessários para a restauração. "Tem até a fotografia, que seria uma área que eu poderia avançar, mas eu prefiro ficar só no papel. Eu gosto muito mesmo e continuo produzindo bastante", completa Helen.

Mas como se restaura um papel? Helen responde em tom professoral: “[Usa-se] Basicamente água. Para a remoção de manchas de fungo, manchas de água, sujidades de uma maneira geral. O processo em si é mais o tratamento do papel, do suporte. A estrutura do papel você consegue reforçar. Por exemplo, um rasgo você faz um reforço com a cola CMC e um papel japonês por trás, que segura. Se for uma área maior de rasgo, dependendo do tamanho do corte você faz uma velatura, que é uma colocação de papel mais fino (papel japonês) também por trás para segurar todo o suporte. Quando faltam pedaços, você coloca também o papel japonês por trás e faz a reconstituição com papel semelhante ao original no tom e na gramatura mais próxima à do papel original. Se estiverem faltando traços ou cores, você procura colocar na tonalidade mais próxima da obra em si. Os retoques, por exemplo, são feitos com lápis Caran D'Ache, aquarela, giz pastel seco,... Mas é mais para recuperar a tonalidade do conjunto, você não consegue recuperar mais o traço faltante. A assinatura você procura preservar o máximo possível e deixa intocado”. Para a remoção de manchas, usa-se a água e a água oxigenada.

Tamanho gosto pelo papel deu origem a uma situação, no mínimo, curiosa. Quando descobriu a fibra de Curauá, uma espécie de bromélia nativa do Amazonas, Helen ficou maravilhada. A fibra é mais resistente e rende mais que fibra japonesa, utilizada para fazer o papel japonês. Também mais resistente que a fibra de vidro, atualmente a fibra de Curauá é usada na indústria automobilística para fazer pára-choques e estofamentos. "São utilizadas para um fim que eu não acho muito justo para elas porque elas são lindíssimas", argumenta. Para produzir papel, encomendou 200 quilos da fibra a uma revendedora. No entanto, com receio de haver problemas no transporte fez mais uma encomenda a outra revendedora. "Só quando eles estavam vindo é que eu comecei a imaginar quanto que dava 400 quilos de fibra de Curauá". Ainda hoje, um banheiro inteiro e metades de dois quartos (o dela inclusive) estão tomados pela fibra. "Essa virou uma grande brincadeira do pessoal lá em casa porque eu não tive o mínimo senso de encontrar um depósito razoável", conta a artista em meio a risos.

Que obra você restauraria se pudesse escolher?, pergunto durante a conversa. Helen, que já restaurou obras de Mira Schendel e Gilvan Samico - expoentes nacionais -, e até mesmo uma gravura de Van Gogh, pensa um pouco e responde. "Eu acho que eu iria mais pelo lado excêntrico mesmo, de ter em mãos algum trabalho feito sob um suporte de papel de um artista chinês, por exemplo, de 5 mil, 7 mil anos atrás. Ou então de alguma tribo indígena brasileira que tenha feito alguma produção em cima de algum material que seja semelhante ao papel (bananeira, casca,...)" e completa "é muito em termos de excentricidade, de você estar tocando em uma cultura que você jamais teria acesso fisicamente se não fosse através desse material".

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Como se construiu a 29ª Bienal

Por Rafaella Peralta
rafalps23@gmail.com

Entre os dias 20 de setembro e 12 de dezembro, o Parque do Ibirapuera recebeu a 29ª Bienal de Artes de São Paulo. Segundo os organizadores, aproximadamente meio milhão de pessoas foram ao Pavilhão Ciccillo Matarazzo conferir as 850 obras expostas no local. Ao todo, 159 artistas de 35 nacionalidades foram convidados para expor no evento que teve como tema a relação entre a arte e a política.

Manutenção e montagem
Para que tudo ficasse pronto a tempo da estreia, cerca de dois mil homens trabalharam na montagem das obras, que começou com mais de dois meses de antecedência, no dia 5 de julho. De acordo com Mário Rodrigues, gerente de RH, Materiais e Manutenção da Bienal, durante os 84 dias em que a exposição ocorreu, cerca de trezentas pessoas, entre seguranças, bombeiros, faxineiros, guarda-volumes, equipe de manutenção das obras e do posto médico, trabalharam diariamente no local.

Monitores
Os trezentos educadores, contratados para monitorar as visitas orientadas, foram escolhidos pela curadora do projeto educativo, Stela Barbieri, entre quinhentos estudantes dos cursos de Artes Visuais, Arquitetura, Design, Letras, História, Geografia, Filosofia, Ciências Sociais e Pedagogia que participaram de um curso de formação. Promovido através de uma parceria estabelecida com 24 instituições culturais de São Paulo, entre elas o MAC, o MASP e a Pinacoteca do Estado, o curso aconteceu entre os dias 30 de abril e 23 de junho.

A presença da interatividade
Algumas obras contaram com uma participação especial do público em sua construção. Já do lado de fora do pavilhão, “Os mestres e as criaturas novas (remixstyle)”, trabalho da artista angolana Yonamine, atraía muita atenção. Estrategicamente localizada ao lado de uma janela, com o intuito de aproveitar a luz natural do Sol, a obra era composta por inúmeros exemplares de jornais brasileiros amassados, rasgados e espalhados pelo chão. “No primeiro dia, na inauguração, os jornais estavam todos empilhados, igual você compra na banca de jornal, mas a ideia da artista era que ficasse do jeito que está”, conta Rodrigues. Além disso, uma cortina constituída por sacos de plástico transparentes, novos e reciclados, na qual os espectadores foram convidados a deixar mensagens escritas, também constituía a obra.

Presente no terceiro andar do pavilhão e idealizado pelo artista plástico paulista Henrique Oliveira, “A Origem do terceiro mundo” foi outro trabalho que permitiu uma maior participação dos visitantes. A obra consistia em um túnel de cerca de quarenta metros, construído com madeira de demolição e canos de PVC. Na entrada da instalação, monitores e bombeiros orientavam os espectadores a tomar cuidado com pregos e possíveis farpas que pudessem se soltar durante sua passagem. Apesar disso, além da reposição de lâmpadas, da limpeza e da fixação de alguns pedaços de madeira que se soltaram, a obra não sofreu maiores intervenções. A ideia era que o próprio desgaste causado pela movimentação do público em seu interior também se transformasse em um dos componentes da obra.

Desmontagem
Após o encerramento da exposição, no último dia 12, a desmontagem da Bienal levou, ao todo, onze dias para ser concluída. Seis deles foram gastos apenas na desmontagem das obras de arte, outros três para que toda a cenografia fosse retirada e os dois últimos foram reservados para a limpeza do prédio.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Exposição de Laurie Anderson une arte e tecnologia

Por Meire Kusumoto e Paula Zogbi
meirekusumoto@gmail.com/ paulichas@gmail.com

A musicista e artista plástica americana Laurie Anderson tem algumas obras expostas até o dia 26 de dezembro no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro de São Paulo.

Entre as atrações, estão um travesseiro que toca música e a mesa que transmite sons através dos ossos do visitante.

I in U - Eu em Tu - Laurie Anderson
Centro Cultural Banco do Brasil
R. Álvares Penteado, 112 - Centro
Terça a domingo: 10h às 20h
Grátis
Informações: 3113-3651