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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

[Investigativo] Desafios éticos


Por Augusto Braz
augustopbraz@gmail.com

 etica_jornalismo
A investigação no jornalismo é uma área que oferece diversos riscos à ética do profissional. Isso porque há várias maneiras de se obter uma informação, mas muitas delas – as mais “fáceis”, geralmente – exigem uma certa disposição do jornalista a comportar-se de maneira antiética - violando o direito à privacidade, por exemplo.

Grampos telefônicos, quebra de sigilo, câmeras escondidas, uso de falsa identidade etc. Qual a postura que tomam os jornalistas quanto ao emprego desses recursos para a construção de uma matéria investigativa?

A resposta, na maioria das vezes, vem da já conhecida história do interesse público. Se aquela atitude for essencial para a obtenção de uma informação de grande importância para a sociedade, ela é justificada. O uso da microcâmera, por exemplo, não é a primeira opção da maior parte dos jornalistas, mas ela pode ser indispensável para conseguir dados em uma reportagem. Em nome do interesse público, esconder a câmera se torna um ato compreensível. Fazê-lo para atrair mais audiência ou em nome de uma maior repercussão da reportagem, entretanto, não é tão incomum quanto deveria ser.

Mesmo quando há um grande interesse público envolvido, cometer um crime não é válido a fim de denunciar outro. Por isso o grampo ilegal e o uso de falsa identidade não são opções. É absurda, por exemplo, a ideia de “simular” um crime em nome de uma reportagem, como no caso das duas jornalistas de Brasília que tentaram sequestrar um bebê com o objetivo de demonstrar a falta de segurança em um hospital público, detalhado no texto “Vale tudo no jornalismo investigativo?”, de Alberto Dines.

Outra questão importante relativa à ética da investigação jornalística é a defesa do suspeito, que não pode ser ignorada. Em qualquer reportagem desse tipo, pesquisar os argumentos de defesa dos acusados é essencial para que não ocorra o usual “pré-julgamento” das mídias. A suspeita deve ser publicada como tal, de maneira que não haja margem para dúvidas quanto a isso. Antecipar-se ao julgamento em qualquer caso e apontar pessoas como culpadas enquanto ainda são realizadas as investigações são faltas comuns cometidas pela imprensa.

Fazer jornalismo investigativo é muito difícil, não há dúvida. É preciso ser cauteloso em diversos aspectos e buscar sempre ignorar interesses pessoais (ou empresariais) para focar as reportagens naquilo que é verdadeiramente de interesse público. E não naquilo que simplesmente desperta curiosidade ou chama atenção.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

[Investigativo] A Abraji


Por Paula Zogbi
paulichas@gmail.com

No fim do mês passado, ocorreu o
5° congresso de Jornalismo Investigativo, que contou com palestras e workshops sobre esta área, baseados em temas atuais. O congresso é promovido pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

Relativamente jovem, a associação foi criada em 2003 por um grupo de jornalistas brasileiros, com iniciativa de Marcelo Beraba, após assistirem ao seminário “Jornalismo Investigativo: Ética, Técnicas e Perigos”, organizado pela Universidade do Texas e dirigido pelo também brasileiro Rosental Calmon Alves.

Mantida pelos próprios jornalistas afiliados e sem fins lucrativos, seu objetivo é promover eventos relacionados ao tema da investigação, de modo a serem trocadas experiências e ideias entre os participantes. Também são promovidos cursos, presenciais e on-line, para ajudar na formação de jornalistas.

Dentro do site da instituição, é possível acompanhar notícias, textos de opinião e, para associados, ter acesso a coberturas exclusivas, apostilas e outros materiais jornalísticos.

sábado, 7 de agosto de 2010

[Investigativo] A investigação jornalística


Por Augusto Braz
augustopbraz@gmail.com

Polêmico e misterioso, o jornalismo investigativo atrai o interesse de muitas pessoas. Através da boa apuração de dados, o jornalista pode descobrir informações úteis à sociedade envolvendo diversos temas – ele pode levar a20246_ag_lrgo conhecimento das pessoas acontecimentos ocultos, envolvendo corrupção e circunstâncias de crimes, por exemplo.

Os furos jornalísticos são de suma importância para que reportagens investigativas tenham sucesso. Para obtê-los, o jornalista precisa dedicar-se muito à pauta, tendo – muitas vezes – que se arriscar para conseguir uma informação – no caso da apuração de um crime, por exemplo, o jornalista precisa ir até o local do crime, falar com pessoas envolvidas, etc. – ou trabalhar no limite da sua ética profissional – para obter dados em uma investigação, há diversas ferramentas que exigem uma postura antiética do profissional, como o uso de falsa identidade.

O jornalismo investigativo é muito freqüentemente abordado no cinema. No filme “Neve sobre os Cedros”, por exemplo, um jornalista descobre uma informação sobre as circunstâncias de um crime cujo suspeito está sendo julgado. A posse de tal informação – crucial para o resultado de um julgamento – cria um conflito ético no personagem – que não quer divulgar o dado que possui por motivos pessoais, mas se sente na obrigação de fazê-lo em nome de sua ética profissional.

A investigação no jornalismo é essencial para informar a população sobre acontecimentos – como diversos escândalos da política brasileira descobertos pela mídia – que, sem o trabalho das mídias, jamais chegariam a seu conhecimento.