segunda-feira, 22 de agosto de 2011

[Fotojornalismo] Sobre os sorteios

O último dia da V Semana de Fotojornalismo não só dos autores das três fotos vencedoras receberão prêmios! Nós vamos sortear diversos livros de fotografia e um curso.

Para participar você tem que comparecer a pelo menos três dos quatro dias de palestras (a saída fotográfica não conta), sendo que um deles precisa ser a sexta-feira. Quem cumprir esse requisito vai receber um número, que será usado para o sorteio.

Caso a pessoa sorteada não esteja presente no momento do sorteio, um novo número será chamado.

Os premiados pela saída fotográfica não poderão participar dos sorteios.

[Fotojornalismo] Atílio Avancini

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Fotógrafo e professor dos cursos de Editoração e Jornalismo na ECA/USP, Atílio Avancini participará da Mesa Redonda “O poder do fotojornalismo para formar ícones”, no dia 28 de agosto, e do Workshop, no dia 30, ambos durante a 5ª Semana de Fotojornalismo.

Avancini nasceu em 1953 na cidade de São Paulo. Formou-se em Engenharia Civil pela FAAP em 1977, mas iniciou uma especialização em Arte e Educação em 1995. Mais tarde, seguindo o caminho da Comunição, tornou-se mestre e doutor em Ciências da Comunicação – Jornalismo pela USP. Tem em seu currículo trabalhos como: fotografias e registros da dança do professor e dançarino alemão Rolf Gelewski (1930-1988); participação no grupo de fotógrafos FotoViva, em Salvador, e Museu Lasar Segall, em São Paulo; atuação na agência Angular de Fotojornalismo (SP); fotografias de Budapeste, capital da Hungria, que renderam uma exposição no MASP, em 1989, além de outros inúmeros trabalhos e projetos acadêmicos. Seu livro Atílio Avancini – Coleção Artistas da USP mostra em 72 fotografias preto-e-brancas o cotidiano de 12 cidades do mundo. Em Entre Gueixas e Samurais: Fotografias e Relatos de Viagens, Atílio conta sua experiência de um ano pelo Japão, através de textos e fotos.

Para se inscrever na V Semana de Fotojornalismo, clique aqui

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

[Fotojornalismo] V Semana de Fotojornalismo

Cartaz Semana de Foto

A Jornalismo Júnior gostaria de convidá-lo para a V Semana de Fotojornalismo.

A Semana de Fotojornalismo é um evento anual que se alia ao objetivo da empresa de promover e compartilhar conhecimento entre profissionais e estudantes.

Nesta edição, o tema principal é “Ícones”. O evento ocorrerá do dia 29 de agosto a 02 de setembro no Auditório Ariosto Mila, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAUUSP).

Para as palestras, contamos com a presença de fotógrafos como Marcio Scavone, Caio Guatelli e Dirce Carrion.

No dia 31 de agosto, ocorrerá a saída fotográfica. As fotos tiradas pelos participantes participam de um concurso e são premiadas no último dia. Outras informações sobre a saída serão dadas no começo da Semana.

Inscrições

Para fazer sua inscrição para a semana, clique aqui e preencha o formulário. As inscrições são gratuitas e obrigatórias para os interessados em ganhar o certificado, que será entregue a todos que compareçam a pelo menos três dias de palestras (a saída fotográfica não está inclusa).

Como o workshop tem vagas limitadas, para participar dele você deve se inscrever aqui (mesmo que você já esteja inscrito para a semana).

Local

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP - FAUUSP

Auditório Ariosto Mila

Rua do Lago, 876 – Cidade Universitária

05508-080 São Paulo-SP

Programação

29/08

15h Mesa redonda “O poder do fotojornalismo para formar ícones”, com Mayra Rodrigues Gomes, Helouise Costa e Atílio Avancini

30/08

14h Workshop de fotografia – vagas limitadas

15h Palestra “Lugares”, com Dirce Carrion e Caio Guatelli

31/08

Saída Fotográfica

01/09

15h Palestra “Crenças”, com José Cordeiro e Wagner Souza e Silva

02/09

15h Palestra “Pessoas”, com Marcio Scavone e Priscila Prade

17h Premiação da Saída Fotográfica e Coffee End

domingo, 14 de agosto de 2011

Crítica musical e Jornalismo

João Vitor Oliveira                                                                                                 jvascon.oliveira@gmail.com

Em 1984, Nasi, vocalista do Ira, foi à Folha de São Paulo e tentou agredir o jornalista Pepe Escobar, após crítica feita por este ao rock paulista. Ninguém gosta de ser julgado negativamente, ninguém gosta de ver seu cantor favorito mal falado, mas a crítica musical vai muito além da mera opinião do jornalista. “Não é a simples exposição do gosto”, é o que diz Carlos Calado, no ramo desde a década de 1980, em entrevista concedida por telefone.

Não é a toa que os jornais impressos abrem espaço para a crítica musical, afinal, ela é, antes de tudo, jornalismo. Seu texto deve ser atraente do ponto de vista jornalístico. Não se pode desvincular dessa área de atuação, por exemplo, o valor da imparcialidade. O crítico musical, segundo Calado, deve analisar as obras sem quaisquer preconceitos, transmitindo ao leitor seus principais aspectos. “A função é, antes de tudo, respeitar o público, não menosprezá-lo, fornecer elementos para ele tomar suas decisões”.

Atualmente, porém, a área sofre mudanças significativas, assim como todo o jornalismo cultural do meio impresso. “O espaço para a crítica tem sido reduzido radicalmente (...) Isso está ligado com uma redução que o próprio espaço dos cadernos culturais tem nos jornais. Um caderno cultural como a Ilustrada chegou a ter, 20 anos atrás, 50% a mais de espaço”, estima Calado.

Essa redução acaba distorcendo as formas e funções da crítica. Com menos espaço, elas passam a ter menos conteúdo, passam a ser mais “ralas”, como o próprio entrevistado define. Ao invés de análises trabalhadas, os jornais têm preferido adotar o modelo americano da prática de atribuir estrelinhas, avaliações numéricas às obras, somente classificando-as como boas, ruins ou regulares. Para Calado, isso faz com que cada vez mais o crítico tenha o simples papel de dizer para o leitor: “eu estou decidindo para você se você deve ou não comprar este produto”.

Além disso, a diminuição do espaço repercute sobre o trabalho do próprio crítico musical. Se em décadas passadas já era difícil encontrar alguém que se ocupasse somente disso, hoje é praticamente impossível. O jornalista, atualmente, faz um pouco de tudo. Assim, não é possível definir o cotidiano de um crítico de música, a área é somente uma das várias ocupações dele.

Outra mudança relatada por Calado é a crescente especialização dos jornalistas da área. Não raro vemos aqueles que se definem como “crítico de rock”, ou “crítico de MPB”, por exemplo. “Eu venho de uma geração eclética, que ouvia praticamente todos os tipos de música”, comenta, explicando a importância maior que o rádio tinha na sua juventude.

Carlos Calado já cobriu shows e festivais de música em diversos países e escreveu vários livros sobre música. Trabalhou como crítico musical na Folha Ilustrada, de onde saiu em 1994, mas continua exercendo o papel em casa. Para quem se interessar em conhecer seu trabalho, ele reproduz boa parte de seus textos (críticas, reportagens, entrevistas) em seu blog Música de Alma Negra.

Jornalimo Internacional

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terça-feira, 21 de junho de 2011

Um correspondente no Brasil

Beatriz Montesanti                                                                     bmontesanti@gmail.com

O lide de uma notícia do jornal de hoje inicia:

PSDB e DEM participaram nesta segunda-feira de um ato de demonstração de união entre os dois partidos, abalada nos últimos meses pela criação do PSD, legenda comandada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que tem atraído políticos dos dois partidos.

Embora seja uma notícia atualíssima, não há grandes novidades: utiliza-se uma estrutura padrão para um assunto da rotina nacional política. No entanto, imagine escrever sobre o mesmo acontecimento com este diferencial: seu leitor não sabe o que é PSBD, DEM ou sequer Gilberto Kassab. Ainda, sabe apenas vagamente o histórico político brasileiro.

Esse é o trabalho de Todd Benson, da Thomson Reuters. Com um português fluente e uma bagagem mais que satisfatória do quadro político-social brasileiro, o jornalista deve escrever tudo o que sabe para quem nada sabe: o público internacional. “Em tragédias humanas, a cobertura é muito similar. Já em política a quantidade de contexto que você precisa colocar é bem maior”, explica o jornalista.

Segundo Todd, o trabalho de um correspondente não é exatamente como se imagina: “Tem-se a imagem de uma vida muito glamorosa, divertida, porém o foco das notícias no mundo é cada vez mais econômico. Nossa rotina é quase a mesma de um trade financeiro”. Ao mesmo tempo, há também o lado mais elaborado, no qual o jornalista pode trabalhar em reportagens especiais: “É o motivo pelo qual gostamos de jornalismo, por isso todos procuram tempo para fazer essas coisas”.

O americano também comentou sobre cobertura internacional em áreas de conflito. Embora nunca tenha sido enviado para uma zona nevrálgica, participou de um curso de treinamento de uma semana, fornecido pela Reuters: “Como se proteger em situações de guerra e protesto”. Ali foi recomendado a nunca andar sozinho, usar sempre colete a prova de balas e atualizar os editores constantemente.

A preocupação com a segurança dos repórteres é cada vez maior, a ponto de haver uma série de editores gabaritados cujo trabalho não esta relacionado com a produção da notícia em si, mas sim em certificarem-se de que os procedimentos certos são realizados e por onde andam seus funcionários.

sábado, 11 de junho de 2011

“Ler um bom texto é um dos prazeres da vida”

Por Patrícia Beloni                                                                                                           pat.beloni@gmail.comDSC_0664

A feição séria de José Hamilton Ribeiro foi só aparência. O jornalista deu um tom bem humorado à última palestra do ciclo de apresentações do evento “Histórias que se contam: O jornalismo em grandes reportagens”. O professor e chefe do departamento de jornalismo, José Coelho Sobrinho, apresentou o paulista, “alma do Globo Rural” e autor de 17 livros, entre eles “O gosto da guerra”.

Zé preparou a palestra e trouxe até um texto de apoio para não se perder. O exercícío da reportagem, iniciou ele, é diferente do jornalismo diário. Traz consigo um pouco de profundidade, pesquisa e maturação de imprensa. Citou e criticou diversos jornalistas, como Rubem Braga e Joel Silveira, e analteceu a escrita de Manuel Bandeira. Para Hamilton, ser jornalista de grandes reportagens exige vocação e formação.

Com um exemplo bem clássico da área de exatas, o repórter que ministrou aulas na faculdade Cásper Líbero ensinou a fórmula da grande reportagem para os ouvintes do evento: GR=[(BC + BF)] x [(T x T')n].Traduzindo, uma grande reportagem é fruto de um bom começo, com um bom final, combinado com muito trabalho e talento, de acordo com a energia necessária.

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O esforço para alcançar o resultado dessa fórmula também vem da consciência da profissão competitiva e o mercado restrito, limitado, o que faz com que o jornalista tenha que se dedicar e desenvolver suas habilidades. José Hamilton fala também do encanto do final. Tem que ser reservado alguma coisa interessante para encerrar o texto com “aquele gostinho de quero mais”.

Durante as dicas, o Zé foi contando alguns episódios curiosos de sua vida, como quando fez a cobertura da Guerra no Vietnã e teve a perna esquerda amputada, e algumas experiências como correspondente de guerra. “Os correspondentes de guerra são membros de um tribo infeliz. Não conhece ninguém, e tem que lutar por um furo contra os próprios colegas de trabalho”, desabafa o repórter.DSC_0696

Aos 75 anos, o jornalista, que foi repórter da “Revista Realidade”, do jornal “Folha de São Paulo”, do “Fantástico” e do “Globo Repórter”, se mostrou disposto e engraçado. Ele destacou ainda a importância da dimensão humana que deve ser dada nas abordagens de uma grande reportagem e da diferença que faz os personagens e suas histórias. No final da palestra, deu autógrafos e também tirou fotos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Jornalismo de Guerra e os riscos da profissão

João Vasconcelos                                                                                                                              jvascon.oliveira@gmail.com

Esportes. Música. Política. Muitos são os campos de atuação em que um jornalista pode escolher trabalhar, mas poucos são aqueles que decidem por especializar-se no perigoso ramo do jornalismo de guerra. “Não é algo para que se envia uma pessoa. Você convida”. É o que diz Sérgio Dávila, que cobriu a Guerra do Iraque para a Folha de São Paulo, em palestra sobre o tema no evento “Histórias que se contam: o jornalismo em grandes reportagens”.

O jornalista começou a conversa contando como foi parar na área. Correspondente da Folha em Nova York, foi o único brasileiro a cobrir, no jornal impresso, os ataques às torres gêmeas no 11 de Setembro. “Isso me credenciava a ser convidado para a guerra do Iraque”.

Falando sobre os aspectos do jornalismo de guerra, o palestrante diz que este deve ser como o jornalismo de outras áreas: imparcial, objetivo, analítico. Porém, enfatiza os inegáveis riscos fatais associados à profissão. “A diferença é uma só: o risco de morrer no final do trabalho é grande”. Por conta disso, destacou a existência de cursos de segurança que preparam repórteres de guerra, ensinando-os, por exemplo, como reagir em um cenário de explosões, ou a planejar rotas de fuga.

Segundo Dávila, 16 dos 120 jornalistas que estiveram em Bagdá na guerra do Iraque morreram. Perguntado sobre a experiência de lidar com a morte dos civis, falou ser algo difícil, que se vivencia diariamente, mas que o jornalista deve ter frieza para exercer seu trabalho. “O que a gente tinha que fazer era aprender a lidar com isso em nome de contar a boa história”. Para ele, a morte de um companheiro de profissão atingia de maneira muito mais íntima.

Entrando um pouco mais a fundo na sua rotina em Bagdá, onde trabalhou ao lado do fotógrafo Juca Varella, Dávila falou sobre as várias dificuldades que encontravam. “Tentamos criar uma rotina no caos”, disse, acrescentando que “todo dia alguma coisa nova dificultava”. A preferência de fontes eram as não oficiais, o povo iraquiano, o que rendeu o livro A guerra segundo os bombardeados, escrito pelo jornalista.

Apesar dos riscos, o palestrante destaca, ao ser perguntado se sua perspectiva de jornalismo havia mudado, a importância que a experiência teve em sua carreira. “Fui para lá um jornalista e voltei outro”. Segundo ele, a guerra é “um ambiente de superjornalismo, onde tudo é levado ao extremo”.

Para os jornalistas em formação que se interessam por este ramo, Dávila recomenda, primeiramente, que se adquira experiência em editorias internacionais e, posteriormente, busque-se trabalhar como correspondente em pelo menos dois países, para só então se entrar no campo do jornalismo de guerra. “Antes disso, acho que é prematuro e perigoso”.