segunda-feira, 30 de agosto de 2010

[Fotojornalismo] A fotografia como instrumento de mudança

Por Carolina Vellei
carolina.vellei@gmail.com

Uma foto que nunca foi tirada: “Aquela lágrima ficou na minha cabeça”. Para o fotógrafo, há momentos que não se devem fotografar, apenas respeitar. Após contar uma emocionante história sobre o amor de um casal de índios no Mato Grosso do Sul, João Roberto Ripper mostrou como é importante o profissional observar, para aprender com as situações e saber o momento certo de dar ou não o clique.

20100830_Ripper_0025Há mais de 20 anos Ripper trabalha como fotógrafo documental. Um de seus temas retratados é o trabalho escravo pelo Brasil, principalmente em carvoarias. Em suas fotos são mostradas a coragem e a paixão de um povo, que apesar de todas as dificuldades não desiste da felicidade. “As pessoas são bonitas, todas elas têm suas belezas”, lembrou. Seu trabalho de denúncia serviu de prova em muitos julgamentos e já contribuiu para o fechamento de diversas usinas de ferro gusa no Pará.

Outro tema de Ripper é a luta pela terra dos índios Guarani Kaiowa, no Mato Grosso do Sul. Ficou 16 anos fotografando o dia-a-dia dos índios no estado que mais sofre com a concentração fundiária. Para ele é preciso denunciar, mas sem vitimizar e por isso seus trabalhos sempre buscam retratar a beleza das pessoas, com iluminação natural para captar o momento da forma mais real possível. Contribui para isso também a aparência em preto e branco. “É como a magia do rádio [...] cada um colore a imagem do jeito que quer”.

[Fotojornalismo] Um olhar pela inclusão social

Por Carolina Vellei
carolina.vellei@gmail.com

De um lado a laje, do outro, a sacada de um condomínio de luxo. O Rio de Janeiro, assim como a maioria das cidades desse país, apresenta contrastes nítidos. É assim, tudo preto no branco, tão real como o trabalho de João Roberto Ripper. E é nesse contexto que esse fotógrafo defensor dos direitos humanos criou o programa Imagens do Povo, que forma fotógrafos documentais em um dos maiores complexos de favela do Brasil, o Complexo da Maré.

O curso trabalha o potencial dessas comunidades para produzir seus próprios conteúdos. O resgate da dignidade dos moradores é feito imagens do povoatravés de um olhar pela inclusão, desmistificando os estereótipos formados pela grande mídia e servindo de janela para mostrar a beleza que existe e que só aparece quando é vista com a alma.  

Para Ripper, é importante fotografar os sonhos e o “mundo que pulsa” na favela, permitindo sentir o ser humano que existe e que não é mostrado pela mídia. E os resultados desse curso são surpreendentes. Depois de realizar uma pesquisa com os formados, descobriu-se que 70% das pessoas viviam com a fotografia, ou como único trabalho ou como complementação de renda.

[Fotojornalismo] João Roberto Ripper

Nascido em uma família numerosa, de raízes nordestinas mescladas com a vida do sudeste, Ripper cresceu na zona norte do Rio de Janeiro, no bairro do Grajaú. Aos 19 anos conheceu a fotografia, aproximando-se, desde então, da linjoão roberto ripperguagem do preto e branco, que veio a se tornar característica do seu trabalho. Na década de 1970, ingressou no fotojornalismo, trabalhando para veículos da imprensa diária. Porém, divergências em relação à cobertura fotográfica dos jornais da grande imprensa levam à busca de caminhos alternativos para a profissão.

Já no período da década de 1990 até os anos mais recentes, Ripper estabelece uma articulação mais estreita do trabalho documental com a atuação na área de Direitos Humanos. Junto a outros fotógrafos, funda a agencia Imagens da Terra, cobrindo temáticas sociais diversas em viagens pelo Brasil durante cerca de 10 anos.

Como uma espécie de freio, que nos faz parar e mergulhar na contemplação de um Brasil ainda surpreendentemente desconhecido (ou, quem sabe, negado) por boa parte dele mesmo, as imagens feitas por João Roberto Ripper durante uma vida inteira conseguem interromper o fluxo frenético da informação e convidam a refletir.

[Fotojornalismo] Afinidade com profissão e equipamento

Por Ana Marques e Paula Zogbi
anacgmarques@gmail.com|paulichas@gmail.com

Imagine-se tendo que cobrir 167 apresentações de circo em três dias e meio. Você é o único fotógrafo, tem que ver qual o melhor close-up do malabarista, checar seus equipamentos, descarregar as milhares de fotos no computador, selecionar e prepará-las para serem usadas tFoto Escanhuelaanto em portais da internet quanto em material impresso. E engolindo seu almoço de Nutry e gelzinho.

Esse é o retrato do dia-a-dia de Adriano Escanhuela, fotojornalista especializado em cobertura de eventos culturais e assessoria de imprensa.

É claro que fazer uma maratona dessas requer profissionalismo, mas atualmente qualquer um tem acesso à tecnologia suficiente para fotografar com qualidade, até porque as câmeras digitais já têm 95% de assertividade na captação.

Apesar disso, são justamente os 5% restantes o diferencial a ser explorado no momento. Por exemplo, o obturador da câmera não vai saber que, para captar o instante do gol, é necessário um tempo de exposição à luz mais curto do que o padrão.

Por essas e outras, para exprimir o tema principal do que está sendo apresentado à lente, é essencial ter uma afinidade com o equipamento. Como um instrumento musical, é só depois de muitos erros e alguns acertos que é possível trazer algo novo.

[Fotojornalismo] Começa a IV Semana de Fotojornalismo

Bem vindos à IV Semana de Fotojornalismo!

Adriano Escanhuela abre o evento com o Workshop de Fotografia Digital. Em seguida, temos João Roberto Ripper falando sobre Fotografia e Direitos Humanos.

As inscrições pelo site estão encerradas, mas você pode se inscrever pessoalmente na entrada do auditório.

domingo, 29 de agosto de 2010

[Fotojornalismo] Como chegar à IV Semana de Fotojornalismo

A melhor forma de chegar à IV Semana de Fotojornalismo é pegando um ônibus próximo à estação Consolação ou Clínicas do metrô. Demora cerca de 40 minutos.

1ª opção:

Desça na estação Consolação, caminhe até a rua Augusta e pegue o ônibus Cidade Universitária (107T) ou o Cidade Universitária (7181).

2ª opção:

Desça na estação Consolação, caminhe até a rua da Consolação e pegue o ônibus Butantã-USP (7411).

3ª opção:

Desça na estação Clínicas, caminhe até a rua Cardeal Arcoverde e pegue o ônibus Butantã-USP (177P ou 177H) ou o Cidade Universitária (724A).

Em todos os casos você deve descer em frente aos bancos e caminhar no sentido em que o ônibus estava. A FAU fica em frente à FEA. Basta entrar no prédio e descer até o auditório.

Atenção: qualquer outro ônibus Butantã-USP ou Cidade Universitária para em frente à FAU, mas dá uma volta por toda a USP. Caso você pegue um deles, peça para descer em frente à FAU.



Para fazer sua inscrição na IV Semana de Fotojornalismo, clique aqui.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

[Fotojornalismo] Da Notícia à Arte

A fotografia se tornou algo corriqueiro em nosso dia-a-dia. Ela está presente nos porta-retratos das nossas casas, nas propagandas, jornais e revistas, nas vitrines, nas ruas, na televisão e até, digitalizada em nossos computadores. Diante disso, é difícil imaginar como uma fotografia pode se destacar em meio a tantas outras e se tornar uma arte. Ainda mais difícil é entender como a fotografia associada à notícia (fotojornalismo) – essa tão corriqueira quanto aquela -, possa obter o mesmo efeito.


“Da Notícia à Arte” é uns dos temas que serão abordados na IV Semana de Fotojornalismo. Ao unir estes gêneros que parecem tão contrastantes, dois grandes fotojornalistas brasileiros, Iatã Cannabrava e Anderson Schneider, debaterão questões enriquecedoras ao Fotojornalismo.


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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

[Fotojornalismo] Fotografia e Direitos Humanos

Muitos intérpretes de nossa história debruçaram-se sobre os processos político-econômicos que teriam feito do Brasil um país de contrastes sociais obscenos. Criou-se até uma terminologia para a parcela da nação esquecida pelos políticos e não retratada pela Grande Mídia: Brasil profundo.


E foi o interesse por esta porção “invisível” de nosso país que levou João Roberto Ripper a procurar outros caminhos em sua profissão de fotógrafo. Assim, suas fotos, muitas vezes minimalistas e epidérmicas, invertem alguns de nossos estereótipos. Seu trabalho não redunda num erro comum presente em esforços do mesmo tipo: reforçar o estigma de exotismo que paira sobre certas regiões.


O olhar do fotógrafo não é redutor ou condicionador: há uma vitalidade natural em suas imagens. São crianças, famílias, trabalhadores que, acostumados à invisibilidade, parecem à vontade na presença da lente.


E, com este trabalho, de qualidade estética e valor social, o artista coloca a fotografia em função dos direitos humanos. Mostrar o que nunca tem visibilidade é uma forma de resgatar o direito humano essencial à comunicação. É uma forma de apostar no que pode haver de melhor em nosso projeto de sociedade.


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